Inteligência Artificial e o desafio da sustentabilidade do jornalismo brasileiro
O crescimento do uso de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) em buscadores, como o recurso AI Overviews lançado pelo Google em 2024, tem reduzido o tráfego direto em sites jornalísticos no Brasil, afetando o financiamento do setor. Usuários passaram a consumir informações por meio de resumos gerados por IA, sem acessar os portais originais, o que compromete a audiência e, consequentemente, a receita publicitária. Dados da Associação de Jornalismo Digital (Ajor) indicam que um em cada quatro veículos associados perdeu mais de 20% da audiência em 2025. A entidade alerta que a prática prejudica a sustentabilidade dos negócios e a qualidade da informação, já que os resumos não oferecem o conteúdo completo das reportagens.
O tema é discutido no Projeto de Lei 2338 de 2023, em tramitação na Câmara dos Deputados, que prevê remuneração às empresas jornalísticas pelo uso de seus conteúdos em sistemas de IA. A proposta, considerada prioritária pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ainda não avançou devido ao período eleitoral e à pressão de empresas de tecnologia, que alegam que a medida inviabilizaria o desenvolvimento de modelos locais de IA. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) defende a aprovação do projeto, destacando a necessidade de garantir direitos autorais e remuneração aos profissionais da área.
Enquanto o Congresso não vota o marco regulatório, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) investiga a conduta do Google sobre o uso de conteúdos jornalísticos em ferramentas de IA sem remuneração. Paralelamente, veículos como Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo firmaram acordos privados com empresas de tecnologia, como OpenAI e Google, para regular o uso de suas produções. O governo federal também apoia a aprovação do PL, argumentando que o uso não autorizado de conteúdos jornalísticos para treinamento de IA configura violação da Lei de Direitos Autorais.
Informações Agência Brasil