Brasileiros dedicam 150 dias do ano ao pagamento de tributos
Um levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) revelou que, em 2026, os brasileiros precisaram trabalhar até o dia 30 de maio — o equivalente a 150 dias — apenas para quitar impostos, taxas e contribuições cobrados pelos governos federal, estaduais e municipais. A pesquisa aponta que a carga tributária efetiva sobre renda, consumo e patrimônio atingiu 41,1%, mantendo o país entre os mais altos patamares de arrecadação das últimas décadas.
Os dados mostram que a tributação cresceu gradualmente desde o início dos anos 2000, quando a carga era de 36,98%. Em 2007, chegou a 40,01% e, desde então, se manteve próxima ou acima da faixa dos 40%. Em 1986, eram necessários 82 dias de trabalho para pagar tributos; em 2001, esse número já havia alcançado 130 dias. Atualmente, o brasileiro trabalha quase o dobro do que trabalhava na década de 1970 para cumprir suas obrigações fiscais.
Entre os fatores que contribuíram para o aumento estão elevações de alíquotas do ICMS em estados como Maranhão, Rio Grande do Norte e Piauí, a ampliação da cobrança sobre importações pelo Programa Remessa Conforme, além da manutenção da chamada “taxa das blusinhas”, que aplica 20% de imposto sobre compras internacionais de até US$ 50.
Também pesaram no cálculo o aumento do IOF, da CSLL para fintechs e instituições financeiras, da tributação sobre apostas esportivas e jogos online, além da elevação do Imposto de Renda sobre Juros sobre Capital Próprio e do Imposto de Importação para produtos de tecnologia.
O estudo reforça que, apesar da alta arrecadação, a percepção de retorno em serviços públicos de qualidade ainda não acompanha o peso dos tributos pagos pela população.