Cesta básica sobe em 17 capitais brasileiras em junho, aponta pesquisa Conab/Dieese
O custo da cesta básica de alimentos aumentou em 17 das 27 capitais pesquisadas em junho de 2026, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em outras dez capitais, o valor do conjunto de alimentos básicos recuou no mês.
📲 Inscreva-se no nosso perfil do Facebook Piumhi Notícias
📲 Inscreva-se no nosso perfil do Facebook Piumhi Notícias
As altas mais expressivas na comparação entre maio e junho ocorreram em Boa Vista (3,28%), Palmas (3,01%), Rio Branco (2,20%) e Porto Alegre (2,18%). Já as quedas mais acentuadas foram registradas em João Pessoa (-3,97%), Recife (-3,62%), Maceió (-3,61%), Natal (-3,48%) e Aracaju (-3,42%).
São Paulo segue com a cesta mais cara do país
Em junho, São Paulo apresentou o maior custo entre as capitais pesquisadas, com R$ 965,47, seguida por Cuiabá (R$ 937,93), Rio de Janeiro (R$ 920,94) e Florianópolis (R$ 918,42). Os menores valores foram observados em cidades do Norte e Nordeste, onde a composição da cesta é diferente: Aracaju (R$ 630,40), São Luís (R$ 654,73), Maceió (R$ 671,41) e Natal (R$ 686,07).
Belo Horizonte entre as maiores altas em 12 meses
Na comparação anual — entre junho de 2025 e junho de 2026 —, o valor da cesta subiu em 26 das 27 capitais. As altas mais expressivas foram registradas em Cuiabá (14,71%), Aracaju (13,12%) e Belo Horizonte (12,52%), que aparece entre os três maiores aumentos do país no período. Somente São Luís apresentou estabilidade, com variação negativa de -0,09%.
Em Belo Horizonte, a cesta básica custou R$ 826,72 em junho, com alta de 0,09% em relação a maio. No acumulado do ano, o valor já subiu 14,30%. Entre os itens, destacaram-se as altas de batata (61,50% em 12 meses) e feijão carioca (55,46%), enquanto café em pó (-22,58%) e açúcar cristal (-21,17%) recuaram no período.
Salário mínimo e peso no orçamento das famílias
O levantamento também mostra que, em junho, o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas — considerando gastos com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência — deveria ter sido de R$ 8.110,92, o equivalente a cinco vezes o piso nacional, hoje em R$ 1.621,00.
Em média, nas 27 capitais pesquisadas, um trabalhador remunerado pelo salário mínimo líquido comprometeu 52,02% da renda apenas para adquirir os alimentos da cesta básica em junho — percentual praticamente estável em relação a maio (52,01%), mas acima dos 51,13% registrados em junho de 2025.
Alimentos com maior variação
Entre os destaques de preços no mês, o estudo aponta:
- Feijão: subiu em todas as capitais do país entre maio e junho, impulsionado pela redução da área cultivada e por adversidades climáticas nas safras.
- Café em pó e açúcar: recuaram na maioria das cidades, refletindo o avanço da colheita 2026/2027 e da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul.
- Tomate: teve comportamento heterogêneo, com fortes altas em Palmas e Porto Alegre, mas quedas expressivas no Nordeste.
- Batata: subiu em todas as capitais do Centro-Sul no acumulado de 12 meses, com variações entre 35,72% (São Paulo) e 79,49% (Vitória).
Sobre a pesquisa
A parceria entre Conab e Dieese, firmada em 2024, ampliou a coleta de preços de 17 para 27 capitais brasileiras, com resultados divulgados mensalmente desde agosto de 2025. O levantamento é uma referência para o acompanhamento da segurança alimentar e nutricional no país, clique aqui.