São Paulo aplica mais de 5 mil doses de vacina contra o sarampo após confirmação de casos em crianças
A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo aplicou 5.314 doses da vacina contra o sarampo no último sábado (27). A ação fez parte de uma mobilização emergencial após a confirmação de três casos da doença em crianças menores de dois anos na Zona Norte da capital paulista.
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Do total, foram aplicadas 220 das chamadas “doses zero” da vacina tríplice viral em crianças de 6 a 11 meses e 29 dias, nas Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs)/Unidades Básicas de Saúde (UBSs) Integradas e durante a busca ativa de casos suspeitos na região.
As outras 5.094 doses foram destinadas à população de 12 meses a 59 anos. Dessas, 3.032 foram aplicadas por equipes de vacinação itinerante, que percorreram bairros da Zona Norte imunizando moradores em domicílios e em locais de grande circulação, como feiras, supermercados e praças.
Dose zero reforça proteção dos bebês
A Secretaria Municipal da Saúde destaca que a dose zero é uma estratégia adicional de proteção e não substitui o esquema regular do Calendário Nacional de Vacinação.
Assim, mesmo após receber a dose entre 6 meses e 11 meses e 29 dias, a criança deve tomar a primeira dose da vacina tríplice viral aos 12 meses e a segunda, preferencialmente com a vacina tetraviral, aos 15 meses.
Além de proteger contra o sarampo, a tríplice viral também previne caxumba e rubéola. Já a tetraviral amplia essa proteção ao incluir a varicela (catapora).
Segundo a pasta, a cobertura vacinal da tríplice viral no município já alcança cerca de 100% para as duas doses em 2026, índice superior à meta de 95% estabelecida pelo Ministério da Saúde.
Estado intensifica vigilância diante do aumento de casos no exterior
Além da aplicação da dose zero, o Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (CVE-SP) adotou uma série de medidas para reduzir o risco de reintrodução do vírus no estado.
Segundo a pasta, em razão do aumento do fluxo internacional de passageiros durante a Copa do Mundo de 2026, foram intensificadas as ações de vacinação em aeroportos, terminais rodoviários, estações de metrô e trens.
A preocupação é motivada pela alta circulação do vírus nos países-sede do torneio. Nos Estados Unidos, foram registrados 2.288 casos em 2025 e outros 2.104 até 20 de junho de 2026. No Canadá, após 5.075 casos no ano passado, já são 1.073 neste ano. No México, a situação é ainda mais preocupante: o país passou de apenas sete casos em 2024 para 6.586 em 2025 e 11.771 em 2026.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, as ações buscam interromper rapidamente possíveis cadeias de transmissão e reduzir o risco de entrada do vírus no estado por meio dos municípios de São Paulo e Guarulhos, onde está localizado o Aeroporto Internacional de Guarulhos.
“O estado de São Paulo atua de forma preventiva, com intensificação da vigilância e ampliação das ações de vacinação para proteger a população. O estado disponibilizou doses adicionais para os dois municípios (São Paulo e Guarulhos) que farão as ações de intensificação”, disse em nota a diretora do CVE-SP, Tatiana Lang.
A vacinação contra o sarampo é oferecida de segunda a sexta-feira em todas as 482 UBSs da capital, das 7h às 19h. Aos sábados, o imunizante também está disponível nas AMAs/UBSs Integradas, no mesmo horário.
A população pode encontrar a unidade mais próxima pela plataforma Busca Saúde.
Risco de novas epidemias
Professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro da diretoria da Sociedade Paulista de Infectologia, a infectologista Raquel Stucchi afirma que o Brasil corre risco de voltar a enfrentar epidemias de sarampo devido à cobertura vacinal insuficiente em parte do país.
Dados mais recentes do Ministério da Saúde mostram que, em 2025, a cobertura nacional foi de 92,68% para a primeira dose e de 78,04% para a segunda, ambas abaixo da meta de 95%.
"O risco existe, principalmente neste momento de grande deslocamento de pessoas em função da Copa do Mundo e do retorno de brasileiros que foram para os Estados Unidos, Canadá e México, caso não estejam adequadamente vacinados", alerta.
O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, transmitida por secreções eliminadas ao tossir, espirrar, falar ou respirar próximo de pessoas não imunizadas. Crianças menores de cinco anos, pessoas desnutridas e indivíduos imunossuprimidos estão entre os grupos com maior risco de desenvolver complicações.
A infectologista explica que na fase aguda o sarampo pode provocar pneumonia ou meningite grave, podendo evoluir para óbito.
“Além disso, de forma mais tardia, pode provocar um quadro de panencefalite, que leva a uma perda importante da capacidade cognitiva e uma debilidade muito importante também”, explica.
A especialista reforça que a vacinação com a tríplice viral é a forma mais eficaz de prevenção e possui eficácia amplamente comprovada.